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CNet News | 26.10.2007 | por Sthepen Shankland
No próximo dia 16 de novembro, quando estrear nos EUA o filme Beowulf , dirigido por Robert Zemeckis (o mesmo de De Volta para o Futuro, Forrest Gump e outros sucessos) e estrelado por Angelina Jolie, os espectadores que forem ao cinema não irão ver apenas mais uma batalha entre heróis com super-poderes. Beowulf será também o primeiro filme a ser apreciado em projeção 3D, a mais recente inovação da Dolby Labs .
A nova tecnologia funciona em conjunto com a projeção Real D , já adotada em cerca de 1.000 cinemas dos EUA. Com a Dolby entrando nesse terreno, os especialistas acreditam que será acelerada a corrida em direção à adoção da 3a. dimensão em todos os filmes - uma revolução comparável à do cinema falado, nos anos 20, e do cinema em cores, nos anos 30 do século passado.
"Acho que isso irá acontecer daqui a uns dez anos", prevê Vince Pace, dono de uma empresa que se associou ao cineasta e produtor James Cameron (Titanic, Exterminador do Futuro) no desenvolvimento das câmeras Fusion 3D, que estão sendo usadas no novo filme de Cameron, chamado Avatar, a estrear em 2009.
Na verdade, não é surpresa que a indústria cinematográfica esteja em busca de uma nova revolução técnica. TVs de telas grandes e finas e sistemas de áudio surround vêm tornando cada vez mais atraentes os projetos de home theater, enquanto as bilheterias continuam estagnadas. Versões em 3D de filmes como Chicken Little deram mais dinheiro do que as versões convencionais, e agora a indústria quer mais.
"Achamos que a tecnologia 3D tem potencial para aumentar as receitas dos cinemas", diz Barton Crockett, analista do banco de investimentos JP Morgan. "Os espectadores poderão viver uma nova experiência visual, o que certamente fará aumentar as bilheterias e até mesmo permitirá cobrar peços mais altos pelos ingressos". Ele estima que filmes em 3D poderão atrair 10% mais espectadores do que seus equivalentes em 2D, com as pessoas se dispondo a pagar até US$ 3,50 mais pelo ingresso em 2009. Isso significaria receitas adicionais entre US$ 300 e US$ 400 milhões para os exibidores, ou seja, um quinto do total estimado para o ano de 2011.
Segundo Crockett, nos próximos três anos o número de salas equipadas com projetores 3D deverá subir para 7.000. Já há uma série de produções sendo rodadas com essa tecnologia, e as campanhas de lançamento prometem ser grandiosas. E, mesmo considerando que já existem televisores 3D à venda no mercado, executivos do setor acha que isso não irá atrapalhar os planos dos exibidores. "Mesmo que os sistemas de home theater passem a adotar TVs 3D, será uma experiência completamente diferente", diz Dave Schnuelle, diretor da Dolby. "Ver imagens 3D numa tela pequena não é a mesma coisa".
Outra vantagem da introdução da nova tecnologia está no combate à pirataria. "90% dos filmes piratas são produzidos com camcorders apontadas para a tela de cinema", diz Jeffrey Katzenberg, dono da DreamWorks Animation . "E é impossível fazer isso com um filme em 3D".
Como funciona
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Tanto o sistema Real D como o 3D da Dolby baseiam-se na mesma idéia: dar à platéia a ilusão de profundidade, exibindo imagens simultâneas que são ligeiramente diferentes em relação ao ponto de vista do olho humano. O cérebro, nesse momento, reconstrói a terceira dimensão, exatamente como faz na vida real. Os dois sistemas exigem o uso de óculos especiais: no caso do Real D, trata-se de um óculos arredondado, com polarização circular, enquanto o modelo da Dolby utiliza um filtro de cores licenciado pela empresa Infinitec. A luz é separada entre os dois olhos dentro do próprio projetor, num processo de chaveamento que acontece em altíssima velocidade (144 vezes por segundo).
"Não existe mais o velho problema da fadiga visual", explica Tim Partridge, da Dolby. Dentro do projetor, gira uma roda de cores do tamanho de um CD, deixando passar alternadamente as freqüências de luz - são duas versões ligeiramente diferentes das cores primárias (verde, vermelho e azul) para cada olho. A roda gira à velocidade de 6 vezes para cada quadro de filme, com o projetor digital devidamente sincronizado para exibir a imagem apropriada ao olho.
Já o sistema Real D utiliza um filtro eletrônico chamado Z-screen, that polariza a luz de duas formas alternadas, também fazendo o chaveamento seis vezes para cada quadro de filme, o que evita o efeito chamado flicker. A polarização circular é um processo complicado, em que se transformam as propriedades eletromagnéticas da luz. Isso exige o uso de uma tela prateada especial que retém a polarização quando a luz é refletida na direção da platéia. |